Voltar a escrever é difícil. Muito difícil
2007 não foi um ano muito bom para esse blog e 2008 simplesmente ainda não começou. Levando em conta que o mês de fevereiro já está quase no fim, não podemos dizer que esse ano promete ser grandes coisas.
Muita coisa tem acontecido na minha vida, tanto no plano pessoal quanto no profissional. O mesmo deveria ter acontecido com o blog, já que ele sempre foi um reflexo do que acontece comigo, mas não tem sido assim, infelizmente.
Esse abandono é imperdoável. Tenho um carinho muito especial pelo meu blog e preciso cuidar melhor dele. Muito melhor. Então o lance agora é sacodir a poeira, estalar os dedos e voltar a escrever. Mas antes disso, acho que vale a pena entender os fatores que me levaram a deixar o blog às moscas, até mesmo para não deixar isso acontecer de novo.
No último ano vimos acontecer um crescimento gigante do que hoje chamamos de blogosfera brasileira. Vimos blogueiros se profissionalizando, saindo na mídia, eventos e mais eventos girando em torno do tema — e sempre colocando em primeiro plano, mesmo que a contragosto de muita gente, o subtema “monetização” –, etc, etc e tal.
Isso deveria me dar uma injeção de ânimo, mas, muito pelo contrário, me fez desanimar profundamente. Não sei explicar exatamente o porquê disso, mas acho que eu gostava mais de blogar quando a coisa era mais largada, mais solta, menos institucionalizada. O senso fortíssimo de comunidade que sobra hoje na web me falta miseravelmente. E, antes que me joguem pedras, não quero dizer com isso que não gosto em absoluto de conviver com os outros ou participar de comunidades. Gosto sim, e muito, mas o que vejo hoje é uma forçação de barra, um senso de que tudo deve ser “comunitário”. Na minha opinião, comunidades devem se formar organicamente, baseadas em afinidades reais, sejam elas ideológias, técnicas, afetivas ou de qualquer outro tipo e não pela simples noção de que “somos todos blogueiros e devemos nos unir”.
Estou tentando lidar melhor com essa “nova fase” da vida blogueira no Brasil, mas confesso que tenho dificuldades em me adaptar.
Além disso, fora da esfera bloguística, tive um filho há pouco menos de um ano e meio. Só isso já fez minha vida virar de cabeça pra baixo e me trouxe extremas alegrias, acompanhadas de um monte de novas responsabilidades que eu nem sonhava em ter antes disso. Ser pai é delicioso, é a melhor coisa do mundo, mesmo, mas não é nem de longe algo fácil.
Pra completar a “bagunça”, três meses depois do nascimento do meu filho, aceitei um emprego em São Paulo e tive que me mudar para cá de mala e cuia, com a família e tudo mais. Vir para São Paulo atrás de uma boa chance de crescimento profissional significava ficar mais longe do resto da família e se adaptar a isso leva tempo, principalmente quando se tem filhos (além do meu filho, tenho duas enteadas).
2007 foi um ano de preocupações, reorganização e um monte de problemas, mas olhando para trás vejo que está valendo a pena. Tenho muita coisa ainda para resolver, mas hoje estou melhor do que estava há um ano atrás em quase tudo e isso é muito bom.
Profissionalmente a mudança foi ainda mais radical. Sempre fui um cara mais técnico, desenvolvedor, e de repente estava trabalhando com marketing, algo que nunca tinha cogitado, nunca mesmo. Embora meu conhecimento técnico seja muito usado no meu dia-a-dia, tudo que faço está num plano mais estratégico, conceitual. Ao invés de implementar, crio planos e projetos, avalio resultados, encho o saco dos outros (no bom sentido, claro). Isso é ruim? Claro que não. Tenho aprendido tanta coisa, com tanta gente, que não conseguiria nem mesmo listar tudo, mas se eu disser que tem sido fácil, estarei mentindo.
E ainda tem a Acesso Digital, que está começando a prospectar bons clientes e tem me consumido bastante nos últimos meses. É um projeto que me faz melhor a cada dia, tanto profissionalmente quanto pessoalmente, pois me dá a chance de conviver com pessoas infinitamente mais espertas do que eu, o que é sempre muito bom.
E acho que com isso consigo dar a vocês um panorama da minha vida nos últimos tempos e, de quebra, tiro um pouco das teias de aranha do blog e da minha “alma blogueira”. É chato choramingar e justificar a ausência, mas eu acho necessário.
Agora é voltar a escrever e tentar voltar a escrever direito para trazer a vocês textos mais bem escritos do que esse. Convenhamos, escrever não é fácil, mas voltar a escrever depois de um longo tempo de inatividade é inifinitamente mais difícil. Perdoem o mau estilo, as redudâncias e a prolixidade. Vai melhorar, eu espero.
E sintam-se à vontade para duvidar da volta do blog à atividade. Mas espero conseguir frustrar os céticos.
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É só ver na coluna da esquerda que nós leitores continuamos por aqui. É só escrever que a gente lê