SMX São Paulo 2008: um erro puxa o outro, que puxa o outro…
Nos dias 7 e 8 de agosto aconteceu a primeira edição do SMX (Search Marketing Expo) no Brasil, o SMX São Paulo. O SMX já aconteceu em diversos países e é um dos maiores (talvez o maior) eventos sobre o tema.
Eu tive o prazer de participar da edição Advanced do evento em Seattle em julho desse ano e é inevitável fazer comparações com a edição aqui de São Paulo.
Confesso que não tinha grandes expectativas e, na verdade, só fui lá porque o “patrão” pagou. Quem pagou 800 pratas (ou, pior, 1300 no caso dos atrasildos) para participar deve estar arrancando os cabelos, pois fizeram apenas um investimento altíssimo em networking.
Enfim, abaixo vão as minhas considerações sobre o SMX São Paulo (ou São Paolo, como dizia um dos slides da apresentação padrão que ficava rolando entre uma sessão e outra).
Foto original de parisneto
Long story short, o evento foi uma grande falha. Ok, vocês já estão pensando, lá vem o Bruno, reclama de tudo, era melhor continuar sem postar e bla bla bla, mas é verdade. Falha atrás de falha marcaram essa edição do SMX. Vamos a algumas das mais notáveis:
Brindes do evento: falta e baixa qualidade
Eu cheguei tarde no primeiro dia, por conta de um curso que tive no trabalho. Cheguei no hotel Unique por volta das 12:30 e a menina do balcão de credenciamento não tinha nem sacola, nem caderno, caneta, em suma, nada pra me entregar. Entregou apenas um crachá (sem meu nome) e pronto.
Disseram que a organização esperava algo em torno da metade do público que compareceu ao evento, mas, ora bolas, todos (com poucas exceções) se inscreveram e pagaram para participar do evento e, portanto, tinham o direito de receber o mesmo material ou pelo menos um material diferente mas equivalente em qualidade e utilidade. Subdimensionou? Problema seu, se vira, vai na 25 de março, sei lá, dá teu jeito, malandro.
Em Seattle ganhamos uma mochila (que eu estou usando direto e neguinho lá no SMX SP ficou me perguntando como eu tinha conseguido) que sozinha já vale mais que a sacolinha fuleira com logo da .FOX, caderno e caneta do UOL, revista sei lá qual e uma pequena pilha de folders promocionais de sei lá quem que entregaram por aqui.
Falta de comida
Como já disse, no primeiro dia cheguei lá por volta da hora do almoço. Fui direto para o espaço onde este estava sendo servido e qual não foi minha surpresa ao descobrir que… não tinha almoço. O que serviram foi um monte de pãezinhos, biscoitinhos, sanduichinhos, docinhos e um monte de outros *inhos que não encheram a barriga de ninguém.
Os coffee breaks do primeiro dia foram, pelo menos, decentes.
Já no segundo dia obviamente não encarei o “almoço”, preferi ir almoçar num restaurante bem bonzinho ali perto, na boa companhia de Manoel Netto, Fábio Seixas, Bruno Alves (não aquele), meus camaradas do UOL que não têm URL (ed. A Luisa tem URL), Leonardo Galvão (do ML) e talvez mais alguém de quem não me lembro agora (desculpe).
Foto original do Paulo, do Marketing de busca
Depois de servido o “almoço”, acreditem, nada mais serviram. Berenice, segura, nós vamos cair… de fome. Saco vazio não pára em pé, disso todo mundo sabe, menos o pessoal da organização do SMX SP.
E eu não estou brincando. O segundo coffee break teve apenas café e suquinho e o “cocktail” de encerramento só teve cerveja (bohemia, pelo menos), sucos e refrigerantes. Nada sólido, nada pra pelo menos encarar mais de 8 horas de jejum.
Pagar 800 pratas com rango incluso e não ter rango é um absurdo tão grande que dá pra imaginar que tenha sido uma piada de mal gosto ou algo assim.
Mais uma vez comparando, no SMX Advanced tivemos almoço nos dois dias (almoço de verdade, com arroz, macarrão, carne, salada, etc.), cerveja (de vários tipos, à sua escolha) também nos dois dias e com fartura, café e “quitutes” o dia inteiro, etc. e tal. E o evento de lá custou 1300 doláres, que pode ser tido como equivalente ao preço daqui, levando em conta a diferença em termos de bala na agulha dos profissionais nos dois países.
Conte comigo: uma, duas, três marcas de cerveja diferentes. Essa foi uma festinha antes do evento, durante ainda tinha mais uma marca que eu não conhecia, além de Heineken.
Falta de palestras avançadas
Havia duas salas com palestras simultâneas. Uma era chamada “Business & Intermediário” e a outra “SEO & Analytics”. Passei a maior parte do tempo nesta última, que era chamada por 99% dos presentes de “avançada”.
Assisti a algumas palestras na primeira sala e posso dizer que teve bastante business, porque era jabá pra todo lado e nada é mais “business” do que jabá. Mas não teve nada de intermediário. Teve sim muita coisa básica, o chamado básico do básico, o bê-a-bá.
No track “SEO & Analytics” o que vimos foi algo um pouco menos básico do que o básico do básico, mas, ainda assim, muito básico. Teve palestrante falando besteira (cadê o Bruno Alves — agora sim, aquele –, por exemplo, pra fazer uma palestra realmente avançada com conhecimento de causa numa hora dessas, minha gente?), gente perguntando besteira e o palestrante respondendo com mais besteira ainda; teve gente fazendo jabá — aliás, os três primeiros slides de cada apresentação eram, em geral, jabá; teve muita coisa, mas nada, nada mesmo, minimamente avançado.
A melhor palestra a que assisti foi de um gringo falando de coleiras eletrônicas pra cachorro. Não foi avançada, não teve nada de novo, mas o cara mandou bem, mostrou o trabalho que tem feito, mostrou detalhes do trabalho, inclusive, teve bom humor. O resto, sinceramente, foi completamente descartável, salvo raras exceções.
Os keynotes (não assisti a todos) foram, no geral, melhores que as palestras, digamos, normais. Mas bem naquele esquema de discurso corporativo e poucas perguntas realmente respondidas da maneira que se esperava.
Vou fazer um esforço pra fazer um post em seguida dissecando as palestras que assisti, mas não contem com isso, dada a minha recente longa ausência por aqui.
Como eu disse lá em cima, minha expectativa era baixa, mas não tão baixa assim.
O evento teve, com certeza, mais problemas ainda, que eu, ou não percebi, ou não estou com vontade de escrever aqui para tornar esse post ainda mais longo e chato. Fiquem à vontade para falar sobre eles nos comentários. E se você acha que teve algo de bom (além do networking, porque, pelo amor de deus, já deu no saco essa coisa de que “ah, foi bom pelo networking, foi bom pelas pessoas”), sinta-se convidado a deixar seu comentário também.
No próximo ano, se tiver SMX de novo, vou ter mais critério na hora de fazer a empresa gastar uma fatiazinha do budget pra me mandar pra lá. Nessa edição, seria muito mais produtivo e rentável ter ido trabalhar, sinceramente.
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O grande problema é o INVESTIMENTO que é extremamente alto para os padrões Brasileiros.
Além do próprio nome do evento, SMX não é qualquer evento, ai teve erros primários, deixar a galera passando fome com um investimento destes é falta de educação.
Felizmente (agora posso dizer isto) não puder ir e fico feliz hoje, pois ia ter que pagar R$650,00 o cash e pagar isto só pra fazer networking é fogo…rs