Rec6 – será que ele tem chance de ser o nosso digg?
Perguntei a vocês por que não temos hoje e se vocês acham que um dia teremos um digg ou slashdot brasileiro. Claro que, àquela altura, eu já conhecia o rec6 e já sabia que alguns blogueiros por aí o estão elegendo como o nosso digg “oficial” e tentando fazer uma campanha de divulgação para fazer com que isso aconteça de fato.
Decidi apoiar o rec6 também. Colquei um botãozinho ao fim de cada artigo, com um link para adicionar/visualizar/votar naquele artigo dentro do sistema do rec6.
Porém, por mais que eu apóie e por mais que eu queira, sinceramente, que o rec6 (ou qualquer outro site, na verdade) se torne o nosso digg de facto, acho improvável, pelo menos nas condições normais de temperatura e pressão, que isso venha a acontecer.
Por quê?
O nome é fraco
Claro que não é apenas isso que vai determinar o sucesso ou fracasso do rec6. Mas, convenhamos, que é fraco, é. Digg é um nome excelente, denota uma ação e tem um toque diferente — o “g” a mais no final. Com isso se criam links e botões “digg this“, “digg that” e assim fica mais fácil do camarada entender do que se trata.
Como podemos brincar com o nome “rec6″? “rec6 esse post” não faz o menor sentido. Por isso temos que nos contentar com “envie esse artigo para o rec6” ou coisas do tipo. Pouco elegante, nada chamativo.
Outros sistemas como nomes mais, digamos, sensatos, como “eu curti” e “ouvi dizer“, apesar de mais interessantes, não têm a mesma força do termo “digg”.
O problema é que isso não é culpa dos criadores desses sites. É uma limitação da nossa língua. Ponto. Digg é legal porque denota um verbo. Em inglês há uma facilidade muito grande de dizer muita coisa com uma palavrinha só e ainda soar cool. Em inglês, quase todos (ou todos? não tenho certeza) os verbos usam a mesma palavra para o infinitivo e o imperativo. Dig significa “cavar” e “cave” ao mesmo tempo. Em português, como vocês bem sabem, a coisa é bem diferente.
Não tem domínio próprio
OK, ter até tem, rec6.com.br, mas o usa apenas para redirecionamento.
Acho — assim como o Léo também acha — uma bela de uma mancada terem lançado o rec6 como uma pasta dentro de um outro domínio (syxt.com.br) que, a priori, não tem nada a ver com o rec6.
Além disso, me digam, o que diz o nome syxt pra vocês? Pode até ser uma excelente rede social, não estou discutindo isso, mas não fez barulho suficiente para ser mais forte que o rec6. Ambos ainda são fracos (em termos de barulho), na verdade.
Se fosse uol.com.br/rec6 ou orkut.com/rec6 a coisa seria bem diferente.
Mas ainda há tempo para mudar isso. Se eles já têm o domínio, basta passar a usá-lo como domínio primário e colocar o diretório rec6 do domínio da syxt como um mero redirecionador. Ou seja, apenas inverter os papéis. Não é nada tão difícil assim e, com certeza, vai aumentar a credibilidade do sistema. A primeira impressão, geralmente, é a que fica. E a impressão de usar um sistema que não tem domínio próprio, pra mim pelo menos, não é nada boa.
Poucos usuários
Outro problema que não é culpa dos criadores do site. Infelizmente temos, hoje, no Brasil, poucos blogs e, por tabela, poucos leitores de blogs. Como o público principal de um sistema digg-style são os blogs, fica difícil atingir uma quantidade interessante de usuários.
Com poucos usuários, fica difícil conseguir capital para investir no site. Sem capital, fica difícil conseguir mais usuários. E assim cria-se um ciclo vicioso mortal.
Para aumentar a base de usuários, divulgação é fundamental. Se os nossos grandes portais estivessem interessados de verdade nos blogs, poderiam muito bem ajudar a divulgar o site. Mas, claro, não vão fazer isso de graça. Embora eu ache que não seria nada demais ter uma matéria de divulgação, gratuita, em alguns portais, já que nenhum destes tem o seu próprio digg.
Vai ver algum (ou alguns) deles está planejando algo nesse sentido (de criar um digg), mas acho que, se isso for verdade, estão demorando demais, concordam?
Ferramentas pouco atraentes
Em termos de ferramentas para ajudar na divulgação gratuita por usuários, o rec6 é um desastre.
Há um bookmarklet, para que o usuário adicione a URL que está visitando ao rec6. Bookmarklets não são sexy, não vão fazer grande diferença.
Há um botão para os donos de sites e blogs incluirem em seus sites. Porém, ao invés de gerar códigos prontos para os sistemas de publicação mais comuns (wordpress e blogger já seria um ótimo começo), o que não é nada difícil, convenhamos, gera um botão que linka para uma URL específica. Ou seja, se eu for usar a ferramenta dada por eles, terei que criar um botão a cada post, com o agravante de ter que pegar a URL e colar no formulário. Daria pra resolver isso, pelo menos para os dois sistemas de blog mais populares, em poucos minutos, principalmente sendo o sistema todo do rec6 feito em PHP. Só falta fazer. Ou então usar o que já foi feito por terceiros, o que seria bastante inteligente.
Outro problema do botão é que ele é pouco atraente e não é auto-explicativo. Diz apenas “rec6″, e já disse lá em cima que acho esse nome ruim. Vamos lá, gente, criatividade…
Além disso, há um widget para colocar em seu site os artigos mais populares no sistema. A vantagem disso para um blogueiro é altamente questionável.
Quais são as minhas sugestões? Bem, imitar o digg já seria um bom começo. Um script que pegasse o número de votos em um determinado artigo já ajudaria bastante. E um botão que fosse atraente e auto-explicativo. Uma API aberta seria excelente também, mas aí acho que estou querendo demais, não?
Tirar os javascript: também seria um grande avanço, mas vamos com calma. Vamos parar por aqui porque não quero parecer mais chato do que já sou de verdade.
Para concluir, devo dizer que todos os problemas do rec6 seriam anulados caso apenas um — a falta de usuários — fosse resolvido.
Portais, sei que vocês não me lêem, mas, se por acaso se depararem com esse post, me façam um favor: olhem para a blogosfera brasileira. Ela tem potencial, acreditem. Se vocês não tiverem seus próprios planos de dominação do mundo por meio de um site digg-like, por favor, ajudem a divulgar o rec6, que é único que temos hoje e que tem algum potencial para se tornar algo grande um dia. Uma matéria (com link, por favor) falando sobre o sistema vai custar quanto? Aposto que não muito. Afinal de contas, matéria por matéria, essa também teria publicidade no meio e pelo menos estaria prestando um grande serviço para a comunidade web do Brasil.
Nós, blogueiros, somos poucos, somos fracos (ainda), mas podemos nos tornar fortes ainda. E não consigo imaginar que alguém tenha algo a perder com isso…
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Outro ponto falho que achei foi, quando vc assina o feed dos caras, e clica para ver uma matéria, em vez dele mandar vc direto pra matéria ele manda vc primeiro no rec6 e depois vc tem que clicar de novo pra ir pro link que quer.
Não sei como funciona no digg pois não assino o feed.