Qual o problema do W3C?
Nos últimos meses, alguns dos desenvolvedores mais importantes e influentes do mundo web têm discutido tanto a organização quanto a capacidade do W3C de continuar desenvolvendo padrões que trabalhem, como diz o slogan (livremente traduzido), para “levar a web a seu potencial máximo”.
É indiscutível a importância do W3C e das tecnologias desenvolvidas e recomendadas por seus membros desde o início da web.
Porém, de uns tempos pra cá, eles têm realmente pisado feio na bola. Não em tudo, mas em pontos vitais, fundamentais para que a web continue evoluindo.
Esses pontos são, principalmente:
Acessibilidade
Joe Clark escreveu, há 3 meses, no a list apart, um artigo em que mostra como o WCAG 2 é falho em diversos aspectos. Principalmente pelo fato de não requerer mais que uma página, para ser considerada acessível, utilize código semântico e válido.
Isso no meio de tantos outros problemas, que tornam o WCAG 2 simplesmente impossível de se aplicar no mundo real.
Além disso, mostra como o processo de desenvolvimento de uma especificação é burocrático e até mesmo — o que é uma baita surpresa quando se trata de um grupo (o WAI) totalmente dedicado a acessibilidade — inacessível para pessoas com alguns tipos de deficiência, como cegos e surdos, por exemplo, cujas presenças e opiniões deveriam ser considerados de suma importância nas reuniões e conferências durante o processo de desenvolvimento do WCAG.
Como ele disse, o processo é falho, quebrado, e, dessa forma, é impossível que o resultado tabém não seja.
Marcação e validação de código
O Zeldman, velho conhecido de quem trabalha com padrões web, abriu a discussão mais recente sobre o W3C, comentando a saída de um membro do grupo de QA do consórcio.
Tanto o texto do Zeldman quanto o email de despedida do Björn Hörmann (o membro em questão), mostram falhas terríveis do W3C em manter o desenvolvimento e o funcionamento de ferramentas importantíssimas como o validador de HTML, e em ouvir o que dizem e pedem os desenvolvedores (tanto os mais “distantes” como eu e você quanto os mais “próximos”, envolvidos no desenvolvimento de tecnologias em diversos grupos dentro do W3C).
Björn relata que, em diversos casos, não há conversação entre dois grupos distintos, e isso torna o processo de verificação e garantia de qualidade praticamente impossível.
O maior problema é que parece que isso acontece nos grupos de trabalho que cuidam do desenvolvimento de linguagens de marcação e das ferramentas de validação, ambos de suma importância para todo e qualquer desenvolvedor web do mundo.
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Há outros problemas. Mas as duas área acima e seus problemas são os que mais me interessam, portanto vou ficar apenas nelas.
O fato é que pessoas influentes têm sistematicamente exposto e discutido falhas muito graves do W3C. Falhas de organização, falhas técnicas, falhas de comunicação.
Se o W3C não trabalha em prol dos desenvolvedores, bem, qual o papel do W3C então? Por que devemos seguir padrões criados, mantidos e recomendados por uma organização que, ao que parece, tem trabalhado mais em favor dos interesses de grandes corporações — que injetam dinheiro no consórcio — do que em favor de quem faz e consome a web?
Claro que não estou dizendo que devemos parar de nos preocupar com semântica, ou que devemos voltar ao tempo dos layouts feitos com tabela, ou desenvolver tudo com flash, java e afins. Apenas que o W3C não é supremo e inquestionável. Não podemos abaixar a cabeça e dizer amém a tudo que eles produzem e recomendam. É preciso avaliar cada caso.
E não é de hoje que tem gente descontente com os rumos tomados pelo W3C. E isso tem sido extremamente saudável, pois, de alguma forma foi esse descontentamento que fez com que fossem criados grupos de desenvolvimento “alternativos”, como o WHATWG e o pessoal dos microformatos.
O WHATWG (que tem o Ian Hickson como editor) trabalha no que, já há algum tempo, eu acho que é a nossa linguagem de marcação do futuro: O Web Applications 1.0, também conhecido como HTML5 ou XHTML5.
Não vou entrar em detalhes sobre o HTML5 aqui, não é esse o propósito do artigo. Basicamente o HTML5 é uma extensão ao HTML e ao DOM, que adiciona diversas funcionalidades interessantes para o desenvolvimento de aplicações web. Você pode ver algumas demonstrações simples do que pode ser feito com o HTML5. Alguns deles (o “Repetition model” e o “datetime”) já são implementados pelo Opera 9.
Prometo que em breve escreverei em um artigo meus motivos para acreditar que o HTML5 (e não o XHTML 2) é a linguagem de marcação que vamos usar daqui a alguns anos.
E os Microformatos (cujo principal nome é Tantek Çelik), como já discutimos no podcast #8 do BlogBits, são uma opção pé-no-chão para transformar a web de hoje em uma web semântica, usando o conhecimento que já temos hoje.
Ao invés de esperar pelo W3C, esses dois grupos meteram a mão na massa, criaram seus próprios padrões, padrões aplicáveis no mundo real e, principalmente, no mundo de hoje.
Fiquemos de olho. Abaixo vão alguns links que você deve seguir para saber mais sobre o W3C e seus problemas:
- Jeffrey Zeldman - An Angry Fix
- Eric Meyer - Angry Indeed
- Molly Holzschlag - Angry, Not: Zeldman, Meyer, and Fair Concerns About the W3C
- Joe Clark - To Hell with WCAG 2
- Björn Hörmann - Leaving W3C QA Dev
- Molly Holzschlag - Misplaced Anger: A Rebuttal to Zeldman’s Criticism of the W3C
- mark Pilgrim - W3C and the Overton window
- W3C QA Weblog - A Peaceful Ear


Realmente há várias coisas “discordáveis” no W3C. Acabo de ler um artigo no Revolução Etc que aponta uma questão no minímo inaceitável quanto às recomendações XHTML do W3C, agora leio um artigo desse. Será que já é hora de se preocupar com a situação? rsrs
Fugindo um pouco do artigo… Gostei do novo design, mais clean e objetivo
Parabéns