Particionamento de disco
Para complementar o artigo sobre instalação do Debian, vamos ver aqui um pouco sobre particionamento de discos. Esse artigo servirá não só para a instalação do Debian, mas para qualquer outro sistema operacional.
Quando você compra um HD, ele não vem preparado para receber dados. Para isso, ele precisa ser particionado. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é necessário particionar o disco apenas quando se deseja ter mais de uma unidade em um disco só. Mesmo que você queira apenas uma, é necessário criar uma partição.
- O que é uma partição
- Tipos de partição
- Diferenças entre DOS/Windows e GNU/Linux
- Particionando o disco
O que é uma partição
Uma partição é um espaço do disco que se destina a receber um sistema de arquivos – ou, em um caso particular que veremos adiante, outras partições.
Em sistemas DOS/Windows, cada partição recebe uma letra de unidade (C:, D:, etc). Em linux o esquema é diferente. As partições são nomeadas da seguinte forma: nome do dispositivo + número de partição.
Assim, a primeira partição do primeiro disco IDE (/dev/hda) se chamará /dev/hda1, a segunda /dev/hda2 e assim por diante.
Cada disco deve ter no mínimo uma e no máximo 16 partições.
Tipos de partições
Existem três tipos possíveis de partições: primária, estendida e lógica.
- Partições primárias
- Este tipo de partição contém um sistema de arquivos. Em um disco deve haver no mínimo uma e no máximo quatro partições primárias. Se existirem quatro partições primárias, nenhuma outra partição poderá existir neste disco. As partições primárias são nomeadas da seguinte forma:
- /dev/hda1
- /dev/hda2
- /dev/hda3
- /dev/hda4
Uma dessas partições deve estar marcada como ativa, ou seja, marcada como ‘bootável’ para que a BIOS possa iniciar a máquina por ela.
- Partição estendida
- Isso mesmo, no singular. Só pode haver uma partição estendida em cada disco. Uma partição estendida é um tipo especial de partição primária que não pode conter um sistema de arquivos. Ao invés disso, ela contém partições lógicas. Se existir uma partição estendida, ela toma o lugar de uma das partições primárias, podendo haver apenas três.
Se houver, por exemplo, três partições no disco, sendo duas primárias e uma estendida, o esquema de nomes ficará assim:- /dev/hda1 (Primária)
- /dev/hda2 (Primária)
- /dev/hda3 (Estendida)
- Partições lógicas
- Também chamadas de unidades lógicas, as partições lógicas residem dentro da partição estendida. Podem haver de uma a 12 partições lógicas em um disco. As partições lógicas são numeradas de 5 até 16. Em um disco contendo duas partições primárias, a partição estendida e 3 partições lógicas, o esquema seria o seguinte:
- /dev/hda1 (Primária)
- /dev/hda2 (Primária)
- /dev/hda3 (Estendida)
- /dev/hda5 (Lógica)
- /dev/hda6 (Lógica)
- /dev/hda7 (Lógica)
Note que, neste caso, não há uma partição nomeada como /dev/hda4, pois os numeros de 1 a 4 são reservados para partições primárias e para a partição estendida.
Perceba que, mesmo sendo 16 o numero máximo de partições em um disco, apenas 15 poderão receber sistemas de arquivos, já que uma delas será estendida.
Diferenças entre DOS/Windows e GNU/Linux
Em sistemas DOS/Windows, as partições serão enxergadas pelo sistema operacional como letras de unidade. As partições primárias e lógicas recebem, cada uma, uma letra de unidade iniciando com C (C:). A partição estendida não recebe uma letra de unidade já que não vai receber um sistema de arquivos e não vai ser usada para guardar dados e, por isso, não é acessível diretamente pelo usuário.
No linux a coisa é bem diferente. O usuário é quem controla o local onde serão montadas as partições do seu disco. Isso pode parecer um tanto estranho para quem está acostumado com o esquema do Windows mas, se você parar pra pensar, faz bem mais sentido.
Para efeito de exemplificação, vamos imaginar um disco IDE, com 6 partições. A primeira, primária, é onde está instalado o Windows, a segunda, também primária, é uma partição windows adicional. A terceira é a partição estendida, que contém três partições lógicas: uma onde será instalado o linux, a outra usada para swap e a terceira uma particão linux adicional para guardar dados do usuário.
Dessa maneira:
- /dev/hda1 (Primária – Windows – sistema)
- /dev/hda2 (Primária – windows – adicional)
- /dev/hda3 (Estendida)
- /dev/hda5 (Lógica – Linux – sistema de arquivos raiz)
- /dev/hda6 (Lógica – Linux – swap)
- /dev/hda7 (Lógica – Linux – adicional)
No windows nós poderiamos enxergar apenas duas destas partições, a primeira e a segunda – já que o windows não reconhece partições linux – e elas seriam apresentadas como as unidades C: e D:. Ao acessar ou gravar um arquivo no disco, você terá que saber em qual das duas unidades o arquivo deverá ficar.
Já no linux você poderá enxergar todas as partições e poderá montar três delas (a estendida e a swap não podem ser montadas) no seu sistema de arquivos raiz (/). A situação seria mais ou menos a seguinte:
A quarta partição, /dev/hda5 (lógica), que é onde o linux está instalado, será montada como o sistema de arquivos raiz (/), e dentro desse sistema de arquivos você irá criar pontos de montagem, que são diretórios vazios, destinados apenas para montar um outro sistema de arquivos. É interessante ressaltar que o diretório que será usado como ponto de montagem não precisa, obrigatoriamente, estar vazio, mas a partir do momento que uma partição for montada nele, seus arquivos serão escondidos e só voltarão a ser acessíveis quando ela for desmontada.
Usando este exemplo de particionamento, vamos criar três pontos de montagem:
- /mnt/win (onde será montada /dev/hda1, partição primária onde o windows está instalado)
- /mnt/winad (para montar /dev/hda2, partição windows adicional)
- /mnt/musicas (onde será montada /dev/hda7, partição linux adicional, neste caso usada para guardar músicas)
A partição swap não pode ser montada, pois é um espaço usado pelo kernel para memória virtual e não com dados voláteis.
Deste modo, ao invés de ter que se lembrar de letras de unidade, que não são nem um pouco descritivas, você poderá usar o nome que quiser e acessar todos os sistemas de arquivos como se fossem diretórios dentro do seu sistema de arquivos raiz.
Para aprender como montar partições windows no linux, leia o meu artigo sobre esse tema.
Particionando o disco
Agora vamos aprender como efetivamente particionar um disco.
Ao particionar, você deve ter em mente 6 operações básicas: listar as partições existentes, criar uma nova partição, deletar uma partição, mudar o tipo de uma partição, marcar uma partição como ativa e gravar a tabela de partições no disco.
Vejamos como fazer isso usando três ferramentas para linux: fdisk e cfdisk.
- Fdisk
-
O fdisk é a ferramenta mais básica de particionamento. Existe uma ferramenta com o mesmo nome para DOS, não confunda os dois. Eles são bem diferentes. Eu não recomendo o uso do fdisk, a não ser que seja a única ferramenta disponível. Não que ele não seja uma boa ferramenta, mas porque nele é mais fácil cometer erros, e um erro em particionamento pode causar um desastre, como perda permanente de dados em disco.
O fdisk é uma ferramenta de linha de comando, que é usado de forma interativa, ou seja, espera por comandos do usuário. É usado da seguinte forma:
[root@host] # fdisk [dispositivo]
onde [dispositivo] é o disco em questão, algo como /dev/hda.
Após digitar este comando, você entra no prompt do fdisk:
Command (m for help):
Os comandos que podem ser entrados nesse prompt são:
a – marcar uma partição como ativa. Será perguntado o número da partição.
d – deletar uma partição. Será perguntado o número da partição.
l – lista os tipos conhecidos de sistemas de arquivos.
m – mostra um pequeno help sobre os comandos.
n – criar uma nova partição. Será perguntado o tipo de partição (primária, estendida ou lógica). Para partição primária será perguntado o número (1 a 4) e para lógicas será usado o primeiro número disponível. Depois será perguntado o número do cilindro inicial da partição. O próximo disponivel será oferecido. Depois o cilindro final. Você pode entrar com o numero do cilindro ou com o tamanho em MB, algo como +500M.
p – mostra a tabela de partições existente na memória. Ela pode ser diferente da real, se houverem mudanças não salvas.
q – Sai sem salvar as alterações.
t – Muda o tipo de sistema de arquivos de uma partição. O número é um octal. Use a opção l para exibir as opções possíveis.
w – Gravar a tabela de partições no disco. Nenhuma mudança será salva até você dar este comando. - Cfdisk
- O cfdisk é um front-end para o fdisk, baseado em curses (interface texto com menus navegáveis).
Nesta ferramenta você tem todas as opções que você tem no fdisk só que com uma interface mais agradável. Use as setas de direção [para cima] e [para baixo] para navegar pelas partições e as setas [direita] e [esquerda] para navegar entre as opções do menu.
Existem outras ferramentas para particionamento, mas o funcionamento é similar. Existem algumas como o QTParted que tem interface gráfica e tem uma operação bem mais simples.
Se você entender os conceitos básicos sobre partições, a ferramenta usada não vai importar muito.
Como sempre, qualquer dúvida me mande um e-mail, para bruno@brunotorres.net
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E ae Bruno, mais um artigo com qualidade.. e parabens..