Minha aplicação perfeita para o twitter (e provavelmente outras redes sociais)

Seguir a timeline do twitter está, cada vez mais, se tornando algo extremamente chato e inútil.

Eu sigo poucas pessoas e, sinceramente, acredito que estão na minha lista apenas pessoas realmente interessantes. Porém, mesmo essas pessoas normalmente interessantes ás vezes parece que enlouquecem e começam a seguir memes idiotas, postar besteiras e se engajar em discussões que acrescentam menos á minha vida que as últimas notícias sobre o impacto do crescimento da população de sapos fluorescentes na cotação do dolar do Suriname.

Aliás, eu mesmo não me isento, falo mais besteira do que deveria no twitter…

Mesmo o tweetdeck, com seus filtros globais extremamente úteis, não resolve esse problema por completo. Apenas excluir palavras-chave e/ou pessoas temporariamente da minha timeline não é o suficiente. Queria algo que fosse mais restrito. Algo que me permitisse monitorar basicamente aquilo que me interessa e as tendências da rede, tanto globais quanto locais.

Minha aplicação perfeita para twitter seria algo mais ou menos assim:

Eu defino as palavras-chave que me interessam, mas ela não me mostra os tweets em si, apenas a quantidade de tweets com aquela palavra-chave em um período de tempo x definido por mim, e a velocidade com que esse número está crescendo (ou seja, me mostra a quantidade e se o tópico está “bombando” no momento).

Um alerta por email caso o negócio comece a bombar de verdade seria muito bem vindo, assim posso ir checar se, por exemplo, surgiu uma oportunidade de divulgação de um produto por conta da popularização de um termo afim ou se estão falando mal de mim ou de algum produto que eu cuido e eu preciso tomar alguma atitude rapidamente.

Isso ficaria em um dashboard simples, que eu poderia ou não deixar aberto o tempo todo (por isso os alertas seriam uma boa).

Além dessas estatísticas, seria interessante ter na mesma tela os trending topics, também com a opção de definir alertas quando um novo tópico entrar na lista.

Outra coisa que seria bem vinda seriam links populares. Nesse caso precisaria ter pelo menos dois tipos: os links populares relacionados com as minhas palavras-chave (linkados em tweets que contenham a palavra, por exemplo) e links populares por categoria (como fazer essa categorização é problema de quem vai fazer a aplicação). Links populares globais poderiam até ser interessantes, mas acho que acabaria tendo mais justin biebers e restarts da vida do que coisas que realmente interessem.

Todas essas funcionalidades deveriam poder ser configuradas como mundiais ou restritas a um local/idioma.

Ah, e claro, deveria ter a opção de manter mentions e directs sempre á vista, porque em geral são importantes de acompanhar na íntegra.

Essa aplicação ficaria na maior parte do tempo em segundo plano, com um ícone na bandeja do windows ou na dock do mac os. Em eventos críticos (como a popularização de uma das minhas palavras-chave, por exemplo), esse ícone poderia piscar ou pular chamando minha atenção. Seria um adicionai interessante aos alertas por email.

Eu imagino que para uso profissional, algo desse tipo seria muito mais produtivo e eficiente do que ficar acompanhando timelines cheias de joio e com pouquíssimo trigo.

Para uso pessoal, por motivos de entretenimento, os tweetdecks da vida continuariam sendo úteis.

Eu não sei se já existe alguma aplicação assim. Sinceramente fiquei com preguiça de procurar e testar e preferi postar isso aqui e ouvir as opiniões/recomendações de vocês.

O que acham? Algo assim seria viável ou tô viajando? Já existe algo desse tipo que eu não conheço? Você usaria uma aplicação desse tipo? Adicionaria ou removeria alguma funcionalidade?

Livros de papel vs. Kindle vs. futuros formatos de eBooks

eBooks vs. livros de papel. Esse é um tema que eu gosto bastante de discutir. Vira e mexe jogo algo sobre isso no twitter, principalmente depois de ter instalado o Kindle no meu celular, e achado a melhor invenção desde a picanha na brasa com capa de gordura.

O tema divide opiniões. Alguns — não poucos, surpreendentemente — defendem o papel pelo seu suposto “charme”, algo que eu definitivamente ainda não consegui entender. Charme é isso aqui, por exemplo, ou talvez isso. Me mostre um livro que esteja á altura desse charme (dessa vez sem aspas, claro) eu eu me rendo ao argumento. Mas, não vamos nos perder. Qual era o assunto mesmo?

Ah, sim, ok. Livros de papel. Sim, eu gostei por muito tempo de livros de papel. Era a única opção viável, e eu gosto de ler, portanto não tinha muito pra onde correr. Mas com a chegada do Kindle, e a disponibilização de uma quantidade razoável de livros para ele, as coisas começara a mudar na minha cabeça.

Comecei a olhar feio pra pilha de livros que tenho aqui em casa. E olha que nem tenho tantos livros assim. No máximo algumas poucas dezenas. Mas mesmo assim eles tomam mais espaço que qualquer outra coisa na casa.

Olivia Wilde

Isso é charme. Entenderam?

Minha vontade é doar todos esses livros para uma biblioteca ou algo assim e recomprar todos em formato digital. Infelizmente isso não é possível atualmente, já que praticamente todos esses livros são basileiros (ou traduzidos para o português) e as editoras brasileiras nos fazem o favor de publicar eBooks em um formato alienígena para os melhores e mais populares leitores do mercado. Mas esse é outro assunto, deixemos pra outro dia.

O fato é que acho eBooks algo realmente revolucionário. Você pode achar que estou exagerando, mas, sinceramente, não estou. Vou contar minha breve história com os eBooks pra você entender porque o termo revolucionário está bem aplicado nesse contexto.

Primeiro, nunca gostei dos eBooks clássicos, em PDF ou naquele formato de help em HTML do windows. Ler no computador não é legal. Ponto. Portanto passei anos e anos acumulando uma quantidade considerável de eBooks nos meus HDs, mas nunca consegui lê-los efetivamente.

Com a chegada do Kindle, e-ink e tudo mais, comecei a achar a coisa interessante. Mas o preço era proibitivo. Fui deixando pra depois. Então a Amazon fez algo que achei muito inteligente: transformou o kindle em um software disponível em diversas plataformas. Mas eu ainda não tinha nenhum dispositivo das plataformas disponíveis, a não ser o computador, que não era, como já disse, uma opção viável pra mim.

Em maio desse ano, a Amazon anunciou o Kindle para Android. “This summer” — dizia o release — aconteceria o lançamento. Em junho passei a entrar todo dia no Android Market e buscar por “Kindle”. Até que apareceu o tão esperado resultado. Instalei o bicho, e, sinceramente, minha vida mudou.

Digo sem o menor receio de estar ao menos minimamente errado: O kindle é o melhor e mais útil aplicativo que já instalei no meu celular, desde que eu comprei meu primeiro celular em que eu podia instalar aplicativos.

Por quê? Porque gosto de ler. Gosto demais de ler. Mas livros de papel, como já disse, tem se tornado uma chateação. O kindle pra Android está sempre comigo, no meu bolso. Qualquer tempinho livre, poucos minutos que sejam, é motivo pra sacar o celular, abrir o Kindle e começar a ler. Li em menos de dois meses 7 livros no celular. Alguns deles bem densos, alguns de negócios, outros de ficção. E em nenhum deles me senti mal servido pela aplicação.

Instalei o Kindle também no iPad, mas o iPad é desajeitado para ler, não é tão bom quanto o celular. Não consigo ler no iPad deitado na cama enquanto minha mulher recosta a cabeça no meu peito. O celular praticamente foi feito pra isso.

Hoje estou correndo o sério risco de ter que declarar bancarrota se continuar comprando livros na kindle store na frequencia atual. E estou planejando comprar ainda esse ano o Kindle, o dispositivo, o que deve piorar ainda mais essa situação. Me sinto como uma criança na kindle store, algo que não acontece, por exemplo, com a app store, da Apple.

Resumindo a história toda, sou kindle biatch. Tenho uma relação com o kindle tão forte quanto a que os apple fanboys tem com macs, iPhones, iPods e iPads. Eu tenho mac e iPad, mas nunca consegui ter com eles a mesma relação que tenho tido com o kindle. Mas, continuemos o assunto.

eBooks atuais vs. formatos futuros, mais “ricos”

Além da “briga” entre livros de papel e livros digitais, tem outro assunto que divide opiniões dentro do contexto: eBooks devem ser representações fiéis dos livros de papel, com o mesmo conteúdo, no mesmo formato, ou devem ser algo mais para justificar o uso da nova mídia?

Esses dias tive uma pequena discussão sobre isso com o Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse, livro que faz bastante sucesso entre os nerds e, mais recentemente, tem figurado em listas de mais vendidos por aí afora.

Perguntei ao Eduardo quando eu poderia ler seu livro no Kindle. Para minha surpresa ele me respondeu que não acha que deva ainda publicar em formato digital, porque acha que é ainda algo meio tosco.

Continuando a conversa, ele disse que acha que livros digitais devem ter algo a mais que livros de papel. Devem ter interação, imagens, vídeos, áudio, etc.

Normalmente eu apenas ignoraria a opinião do sujeito que me falasse isso, mas não dá pra ignorar quando vem de alguém muito mais inteligente que eu e, principalmente, alguém que está no mercado editorial, e entende mais desse mercado do que eu jamais vou entender.

Mas o fato é que eu discordo completamente do argumento do Eduardo. Não poderia discordar mais. Por isso acho que vale a pena falar sobre o assunto com um pouco de calma.

Eu sou um forte defensor do formato atual dos livros. Do conteúdo dos livros, digo. Acho que não se deve simplesmente assumir que, se é digital, deve ser conectado, interativo, multimídia. Por um simples motivo: toda essa parafernália tem um imenso potencial para estragar a história de um livro. Explico.

Muitas vezes prefiro ler um livro do que assistir um filme ou documentário sobre o mesmo assunto. O livro tem o poder de exercitar dois aspectos do meu intelecto que são extremamente importantes: imaginação e criatividade.

Agora, você pode dizer que A Origem aguçou sua imaginação, ou que De Volta para o Futuro ajudou a formar seu espírito criativo. E eu acredito. Mas não é a mesma coisa.

Eu não entendo o suficiente sobre a mente humana para explicar cientificamente qual a diferença entre um livro e uma obra audiovisual no que tange a estimular a criatividade e imaginação de uma pessoa, mas posso dizer por experiência própria, que não é a mesma coisa. Se alguém souber explicar (ou me desmentir), sinta-se a vontade.

O ponto é que o fato de o livro deixar o audiovisual de fora é justamente o que o torna mais interessante. Toda lacuna deixada pelo autor é uma chance de você, leitor, completar a história á sua maneira. A história, depois que você leu, passa a ser sua. A sua versão daquela história pode ser bastante diferente da minha, que pode ser completamente diferente da versão idealizada pelo autor. E essa é, na minha opinião, a beleza de um livro.

(Claro que isso se aplica provavelmente apenas a ficção. Em outros tipos de livros o cenário pode ser diferente, e sobre eles não tenho ainda uma opinião formada, por isso não vou discutir. Discutam vocês, por favor.)

Eu geralmente não me importo com a visão original do autor sobre sua própria obra. Sinceramente prefiro nem saber. Se ele tem uma personagem, e omite uma informação, por exemplo, a cor do cabelo, eu posso — ou melhor, tenho o direito — de imaginá-la morena se essa for a minha vontade. E a beleza disso é que se eu reler o livro daqui a dez anos, quando posso ter uma visão completamente diferente do mundo e meus gostos podem ter mudado consideravelmente, essa personagem pode passar a ser ruiva. É um direito meu ter essa liberdade. Um livro digital interativo e rico em detalhes audiovisuais estragaria essa experiência de uma maneira terrível. Eu não quero isso.

Se Dom Casmurro tivesse sido lançado como um livro digital com algo a mais que apenas texto, talvez não houvesse a discussão — que perdura por mais de século — sobre a (in)fidelidade de Capitu. A imagem e o som deixam poucas dúvidas, pouca chance para sua imaginação e criatividade entrarem em campo.

Por isso, em geral, prefiro não assistir filmes baseados em livros de que gostei muito. Não assisti Blindness porque Ensaio sobre a Cegueira foi um livro que conseguiu me fazer criar uma visão tão vívida dos cenários e personagens, que com certeza a visão do diretor estragaria para sempre a experiência.

O Gollum, pra citar mais um exemplo, que eu criei na minha cabeça ao ler O Hobbit e O Senhor dos Anéis era muito mais interessante do que aquele criado pelo Peter Jackson, por mais sensacional que tenha sido o trabalho do diretor.

Mas não acho que devamos ter uma visão simplista e dicotômica do assunto. Há, com certeza, espaço para livros digitais apenas com conteúdo textual, assim como para livros mais interativos e ricos em recursos audiovisuais. Só digo que defendo com todas as minhas forças a existência do primeiro tipo. Não quero viver em um mundo em que toda a criação e imaginação sejam delegadas a um editor, ou mesmo ao autor de uma obra. Não quero que me tirem o direito de imaginar as histórias como bem entender. Não quero perder a propriedade sobre a minha versão das histórias que leio.

Talvez deva haver uma graduação dos recursos extras de livros digitais. Para crianças, livros mais “ricos”; para adultos, livros mais espartanos. Ou talvez deva haver a opção de habilitar ou não os recursos extras.

Não tenho a resposta. Mas gostaria de discutir mais sobre o assunto. O que você tem a dizer? De que lado você está? Tem alguma idéia diferente sobre o assunto? Sou todo ouvidos.

A presença do Google em eventos de SEO é positiva?

É importante deixar claro que esse texto reflete a minha opinião, não a daquele cara que tá passando ali de blusa vermelha (tá vendo?) e muito menos a da empresa onde trabalho.

[update] Esse post acabou virando o tema principal do SearchCast dessa semana. O bicho pegou por lá. Confiram.

Ontem quase despretenciosamente iniciei uma discussão (como eu gosto disso) no twitter sobre o valor e os perigos de se convidar “googlers” (funcionários do google, você sabe) para eventos de SEO — ou eventos que, pelo menos parcialmente, falem sobre o assunto.

A discussão se estendeu por quase 30 tweets de diversos nomes, alguns bem importantes, do SEO brasileiro, como Flávio Raimundo, Fábio Ricotta, Cassiano Travarelli, Renata Tibiriçá, Miguel Dorneles e Pablo Almeida e acabou indo parar no fórum de ajuda do webmaster do Google (sim, na toca do lobo) e gerou mais discussão por lá.

Embora a opinião geral tenha sido contrária á minha, ainda assim acho que a discussão é válida e mantenho a minha opinião: no momento atual do mercado de SEO brasileiro, a presença dos googlers nos eventos não é positiva. Isso por diversos motivos que quero apresentar aqui para, quem sabe, gerar ainda mais discussão.

Mas antes de mostrar meus argumentos, faço um convite a você que está afim de me fazer mudar de opinião (e que, obviamente, não tem nada melhor pra fazer). Me mostre um exemplo, apenas um basta, onde a presença de um googler em um evento de SEO tenha sido realmente positiva. Pode ser qualquer evento, no Brasil, nos EUA, no Uzbequistão que seja, não importa.

Agora vamos ao que interessa.

O pessoal do google não traz informações importantes para os eventos

Anunciar que o caffeine foi ativado globalmente não vale como informação importante. Não pra mim. Isso eu poderia ler minutos depois em um post num blog oficial do google. E, além disso, que é um argumento besta, concordo, tem o fato de que essa informação não acrescenta nada ao conhecimento do profissional de SEO. Ele não vai sair do evento com uma idéia diferente na cabeça, com uma ação planejada ou algo do tipo por causa de um anúncio desses, por mais importante que seja.

Quando trazem informações importantes e, digamos, actionable, deixam um gosto amargo na boca, como quando o Matt Cutts anunciou que tudo que o google disse por anos sobre nofollow e PR Sculpting era mentira e que todo tempo e dinheiro gastos na implementação dessa técnica foi simplesmente jogado no lixo.

Outras vezes simplesmente usam aquele jeito evasivo (ou jeito google, como preferirem) de responder perguntas sem responder.

Isso pra mim não é positivo. Se eu pago para ir em um evento de alto nível, quero informações que ou sejam diretamente aplicáveis no meu dia-a-dia, ou que me façam enxergar um determinado tópico por um ângulo diferente, ou que me tragam insights para desenvolvimento de novas estratégias e táticas. O resto é desperdício do meu tempo e dinheiro.

Quem traz informações realmente úteis para eventos de SEO são aqueles caras que fazem SEO no dia-a-dia, que testam, que estudam, que botam a mão na massa. Por isso que o Pubcon é hoje o melhor evento de SEO do mundo (fora o fato de ser em Las Vegas, but I digress).

Falando nisso…

A presença de googlers inibe os palestrantes que planejam falar de assuntos mais avançados

SEO avançado quer dizer black hat? Não necessariamente. Mas já que toquei no assunto…

Black Hat não pode ser tabu. É algo que faz parte do conhecimento de SEO. É algo que precisa ser apresentado e discutido. Por dois motivos principais:

  1. Os black hatters são os profissionais de SEO que mais conhecem sobre o assunto. Ser um black hatter demanda muita experiência, muita atenção a detalhes, muito estudo de comportamentos dos buscadores, muito teste. Ouvir esses caras compartilhando suas experiências é de suma importância, mesmo para o mais white dos white hatters.
  2. Por mais que você não pretenda aplicar exatamente as técnicas apresentadas pelos black hatters, frequentemente vai conseguir aplicar parte do conhecimento usado em seu desenvolvimento para criar outras técnicas derivadas, totalmente white hat. Conhecimento de alto nível, quando compartilhado, sempre leva a boas idéias (e a idéias ruins também, mas isso é normal em qualquer cenário)

Dito isso, preciso apresentar outros dois pontos importantes sobre o assunto:

  • Entendo que, ao expor profissionais menos experientes a informações sobre back hat, corremos o risco de criar pequenos monstros que vão sair por aí querendo aplicar aquilo que supostamente aprenderam, atrás do tão sonhado — e fantasioso — dinheiro fácil. Mas eu vejo isso como um risco aceitável, porque esses caras ou não vão conseguir evoluir de acordo com o mercado e vão ser naturalmente eliminados pelo google ou então, no caso de se darem bem, muito provavelmente já fariam isso de qualquer jeito e, convenhamos, é trabalho do google lidar com isso, não nosso
  • Alguns tópicos devem ser realmente evitados, principalmente aqueles que exponham detalhes de operação e não conceitos em si. Cabe aos organizadores dos eventos filtrar os assuntos e lidar da melhor forma com a informação que será apresentada.
  • Fora black hat, outros assuntos podem deixar de ser discutidos simplesmente pelo medo dos palestrantes de alguém do google achar “pêlo em ovo” e causar problemas para seus próprios sites (dos palestrantes) ou de clientes.

    Em um mercado mais evoluído, pode ser que esses problemas deixem de existir. Mas aqui no Brasil, no cenário atual, dados os pontos acima, acredito que a presença dos nossos amigos googlers tem o potencial de diminuir consideravelmente a qualidade dos eventos de SEO.

    Espero que isso não aconteça com o Search Labs, que tem tudo pra ser o melhor evento de busca já realizado aqui no Brasil.

    E, pra finalizar, quero dizer, não pra ser político mas por ser verdade mesmo, que não estou sugerindo que o trabalho realizado pelo time search quality do google é ruim de qualquer forma. Acho o trabalho deles essencial e acredito ser fundamental para a qualidade dos resultados de busca do google. Só não acho que eles devam ir nos eventos, mas isso é uma outra história.

    E você, o que acha? Sei que não concorda comigo, geralmente ninguém concorda, estou acostumado. Seja qual for sua opinião, deixe aqui nos comentários. Acho que essa discussão é válida e pode ainda nos levar a discutir pontos muito mais importantes sobre esse nosso pequeno grande mercado.

Twitter e os links com nofollow (ou twitter: a nova wikipedia)

Ontem o twitter resolveu colocar nofollow nos links para aplicações e scripts que utilizam sua API para postar conteúdo na plataforma.

Essa decisão foi completamente errada na minha opinião, mas não vá embora ainda, vamos conversar um pouco sobre o assunto.

Se você viveu debaixo de uma pedra pelos últimos anos, aqui vai um pouquinho de história, só pra te deixar atualizado sobre o assunto dos links com e sem nofollow no twitter:

  • No início, todos os links postados em updates tinham nofollow. Mas os links contidos em “web” e “bio” nos perfis e os links para aplicações não tinham
  • O twitter resolveu colocar nofollow nos links em “web”
  • O David Naylor percebeu que os links da bio ainda estavam sem nofollow e fez um post sobre
  • Matt Cutts se meteu na história, falou com o @ev, um dos criadores do twitter, e uns dias depois os links da “bio” estavam com nofollow
  • Isso gerou polêmica aqui e ali
  • Os links para as aplicações continuaram sem nofollow. Um blog francês sobre black hat fez um post sobre os links para apps e não muito tempo depois, o twitter colocou nofollow nesses links também
  • Agora só sobraram dois tipos de links sem nofollow: links internos e os links no parecidos com verbetes de dicionários que aparecem logo abaixo da contagem de followers e updates na home logada

Bem, convenhamos, o twitter tem o direito de ser soberano em seu território, mas ao mesmo tempo não deveria ter, já que ele está se tornando a “casa na web” de muita gente e só sobrevive (na verdade só existe) graças ao conteúdo que os usuários postam por lá.

Além disso, o twitter não seria o que é hoje se não existisse a enorme quantidade de aplicações desenvolvidas em cima de sua API, o que torna o uso do twitter muito mais simples e personalizado.

Que mensagens o twitter passa ao colocar nofollow nos links para as aplicações?

Para mim são três mensagens:

  1. Não posso dizer para você se confio ou não nessa aplicação, portanto prefiro dizer que não confio e não vou dar meu precioso “link juice” para ela
  2. Não tenho competência para detectar spam nesse tipo de link, então é melhor não arriscar. Vai que o google encrenca comigo por causa dos links sem nofollow
  3. O google é mais importante para mim do que os desenvolvedores de aplicações que criaram um ecossistema fortíssimo a minha volta e sustentam minha existência junto com os usuários que, convenhamos, não podem competir em importância com o google. A não ser que o usuário seja o Matt Cutts

O medo do abuso e do SPAM justifica a paranóia (e a sacanagem)?

Claro que o twitter não está colocando nofollow nos links de maldade (espero). A justificativa é que se você deixa solto, nego abusa, ou seja, qualque lugar que tenha links sem nofollow tem também uma grande quantidade de spammers loucos por um pouquinho mais de link juice para seus sites.

Mas isso sempre vai acontecer. Você tem medo que sua casa seja invadida, tranca a porta. Normal, nenhum problema. Mas se um amigo seu quiser entrar, você abre a porta, claro.

O twitter não está fazendo isso. Simplesmente trancou a porta, jogou a chave fora e cortou o cabo do interfone. Por mais que você tenha uma conduta decente dentro do twitter, por mais que seja “amigo” dele, a porta vai estar sempre trancada, ele nunca vai deixar você entrar.

Baiscamente o que o twitter fez foi sacanear seus usuários. Sacanear aqueles que produzem conteúdo e ferramentas que sustentam a plataforma. Mais ou menos o que a wikipedia faz.

Na wikipedia, para um texto ser considerado de alta qualidade, deve citar fontes. Essas fontes, portanto, validam o conteúdo da wikipedia. Essas fontes fazem com que o conteúdo da wikipedia tenha maior credibilidade. Essa credibilidade fez com que as pessoas passassem a linkar mais e mais para a wikipedia, que passou a dominar cada vez mais as páginas de resultado de busca para quaisquer palavras-chave. Em suma, ela usa seu conteúdo mas não te dá nada em troca. Pelo menos não no que tange a resultados de busca.

Tá, mas e aí?

E aí que hoje já desenvolvemos uma dependência tão grande do twitter que não é possível simplesmente propor um boicote a ele. Vamos continuar usando, vamos continuar gostando dele por mais que ele nos sacaneie, seja com as famosas baleiadas, seja com a sacanagem dos links com nofollow.

E aí que eu gostaria de ouvir a opinião de vocês sobre o assunto. Vocês acham legítimo o twitter colocar nofollow em todos os links externos? Alguém aí tem alguma solução interessante para propôr? Alguém acha que mesmo escrevendo tão bem quanto uma criança de 1o anos, eu deveria mesmo voltar a postar nesse blog?

Aguardo os comentários.

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