Onde Perdemos Tudo – por Alex Castro

Alex Castro não é um cara comum. Ele se auto-define como um liberal, libertário e libertino e, pelo menos pela imagem que nos passa por meio de seu blog, essas três palavrinhas são parte fundamental de sua personalidade.

Alex escreve muito, muito bem (se eu não soubesse que tem leitores que se ofendem com isso, diria que escreve bem pra caralho) e é famoso por criar deliciosas polêmicas e fazer com que os “cabeça-pequena” percam, vez por outra, essa pequena parte de sua anatomia. Sua maior obra (que até hoje não li completamente) são o que ele chama de As prisões, e são textos em que ele desmonta alguns conceitos que fazem parte da vida de qualquer um, como monogamia, verdade, religião, patriotismo, felicidade e outras mais.

Recentemente, Alex se aventurou em uma empreitada um tanto complicada. Tentar vender seu livro, Onde Perdemos Tudo online. E é sobre este livro que quero falar pra vocês.

Comprei o livro há algumas semanas atrás. Assim que ele me enviou o PDF, li o primeiro conto, “A morte do meu cachorro“, considerado pelo autor como sua obra-prima.

E não é pra menos. O conto é sensacional e, obviamente, não fala da morte de um cachorro, mas usa como metáfora para descrever uma perda muito importante, a perda da inocência, quando deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos e a encarar cada fato da vida de uma maneira completamente diferente.

O conto fala de uma amizade que, apesar de ter sido muito forte no passado, já não existe mais. O narrador encontra sua antiga grande amiga, mas não consegue se aproximar e revive, em sua memória, o momento da “morte de seu cachorro”, ou seja, o momento em que aquela grande amizade acabou, numa tarde, em Buenos Aires.

No conto, Alex aborda de maneira característica um tema que é quase um tabu, a amizade sincera entre um homem e uma mulher. As cenas são muito bem descritas, como no restante do livro e os sentimentos mais profundos de cada personagem são expostos de maneira quase pornográfica.

O segundo conto, “A porta“, disponível por completo, de graça, na web, é o mais curto dos cinco. Fala da perda de um amor, e tem um tom meio sobrenatural e um final trágico, quase cômico, que ajuda a quebrar um pouco o clima pesado do conto.

O terceiro, “Onde perdemos tudo”, conta o reencontro, depois de cinco anos, de um casal cuja relação foi desfeita de maneira traumática. É muito carregado de sentimentos dúbios e mentiras ditas como verdade em momentos de grande emoção.

Mas, pra mim, o destaque do livro são os dois últimos contos.

“Quando morrem os pêssegos” nos mostra como uma grande perda pode ser suplantada por um pequeno momento de felicidade extrema. É um belo conto e nos introduz o personagem do escritor (fictício) Jácome Gol, que é fundamental na história narrada no quinto e último conto do livro, o melhor de todos na minha opinião, “A falta que nos fazem os figos”.

“A falta que nos fazem os figos” é surpreendente, divertido, enigmático, o tipo de história que não se pode deixar pra terminar de ler depois. Por isso mesmo não vou contar nada pra vocês, pra deixar que a curiosidade faça com que comprem o livro.

Onde Perdemos Tudo está à venda pela web, em formato PDF. Tem 120 páginas e custa só 7 reais. Não deixe de comprar.

Acho que Alex Castro tem tudo pra ser um dos grandes autores brasileiros no futuro. Aproveite enquanto você pode comprar um livro dele por 7 pratas e ainda ter a possibilidade de contar diretamente pra ele o que achou. Aproveite.

PS: claro que, nesse ponto, vocês já perceberam que eu não sou a melhor pessoa pra fazer uma crítica literária ou uma resenha decente de um livro, mesmo que eu tenha gostado muito dele. E, a bem da verdade, esse não é o meu objetivo. Sempre que falo de um livro que gosto tento passar pra vocês a minha opinião, da forma que eu sei fazer. Espero que gostem e espero que comprem o livro e me contem o que acharam.

4 Comentários sobre “Onde Perdemos Tudo – por Alex Castro”

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Não gosto de ler na frente do monitor… O único e-book que li até hoje foi um script do último episódio do Caverna do Dragão (escrevi até uma resenha), e ainda só o fiz porque era curto, divertido, e um tesouro nerd, hehe.

Se o livro for lançado no formato tradicional (tinta no papel), juro que compro.

[]‘s!


Taí… brunotorres.net também é cultura! hehe


Gostaria de dar 2 cents.

Acho um tanto quanto interessante publicar e disponibilizar material deste tipo pela web. Além de ser muito mais barato (quase nada) o leitor pode *escolher* o que quer fazer com aquilo. Se quer ler no monitor, que leia. Se quer imprimir, que imprima.

Valew pela dica Bruno!


#4 | Paulo

Ler pelo monitor é quase a mesma coisa que olhar para uma lanterna bem forte, nada melhor que ler um livro, estando sentado em um galho de uma mangueira.


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