Internet Explorer 7 vs. Firefox 2.0 - tratamento de feeds. Parte 1: IE7
Quando disse, há 5 dias atrás, que não acredito que o IE7 vá fazer essa diferença toda na quantidade de usuários de feeds, comentei que acho a maneira de lidar com os feeds do IE7 mais “esperta” que a do Firefox 2.0 e prometi comentar sobre isso em um outro texto. Pois aqui está. Vamos nessa.
Ambos os browsers, em suas mais recentes versões, passaram a tratar os feeds como um tipo especial de documento XML. Ao detectar que um determinado documento se trata de um feed, os browsers aplicam a ele uma transformação XSLT padrão, tornando-o mais, digamos assim, amigável ao usuário não familiarizado com a tecnologia.
Este XSLT padrão sobrepõe qualquer outro que tenha sido aplicado pelo autor e, portanto, todo aquele trabalho que você teve pra criar um estilo todo especial pro seu feed vai por água abaixo. Além disso, estilos e transformações aplicadas por serviços como o “BrowserFriendly” do FeedBurner também se tornam inúteis.
Claro, há como argumentar a favor e contra essa nova maneira de lidar com feeds sem deixar de estar certo de alguma forma.
Aqueles que estão a favor podem dizer que um feed (RSS ou ATOM) deve conter apenas a informação nua e crua e cabe ao usuário (ou à ferramenta do usuário) fazer qualquer modificação de estilo ao documento.
O pessoal que estiver contra pode argumentar dizendo que um XSLT arrumado, combinado com CSS, pode tornar a experiência do usuário mais agradável e facilitar a vida dele, como botões e links para fazer assinatura diretamente nos serviços mais conhecidos, e até mesmo ajudar a informar ao usuário do que se trata aquele documento, qual seu intuito e como ele pode usá-lo de forma efetiva e tirar proveito da tecnologia.
Não vou tomar partido nessa suposta briga. O intuito aqui é avaliar frente a frente a maneira como os dois browsers com mais alcance no mercado — Internet Explorer e Firefox — em suas versões mais recentes, lidam com os nossos queridos feeds.
Internet Explorer 7
O IE7 (não resisto a esse link, me desculpem) foi lançado antes do Firefox, por isso vamos falar dele primeiro.
O suporte nativo aos feeds foi um dos avanços mais alardeados quando se dizia o que podíamos esperar do IE7. Como já comentei anteriormente, muitos diziam (e ainda dizem) que isso poderia alavancar de vez o uso dos feeds por uma massa bem maior de usuários. Ainda não se pode dizer com certeza se isso vai acontecer. Precisamos esperar alguns meses pra ter dados com que lidar e tentar fazer previsões mais cautelosas sobre o assunto.
Justamente por ser uma das grandes bandeiras do IE7, o time de desenvolvimento deste browser fez um belo trabalho no que tange à visualização dos feeds.
No topo do feed, temos um box amarelo, bem visível e chamativo, mas sem exageros, que explica de forma sucinta o que é esta página em que o usuário veio parar ao clicar no botãozinho laranja. Esse box contém o título do feed, a breve explicação, um link “saiba mais” que leva à seção sobre “web feeds” (que é como a microsoft está chamando os feeds) da ajuda do browser, com explicações supostamente bem detalhadas sobre o assunto. Digo supostamente porque não me dei ao trabalho de ler tudo.
Ainda no box amarelo, temos um link para que o usuário assine o feed. Infelizmente, por padrão, a única opção é assinar diretamente no browser. Vou falar mais a frente o que acho do leitor de feeds embutido no IE7.
Abaixo do box vem o conteúdo propriamente dito, estilizado de uma forma simples e elegante, com todos os detalhes sobre cada item do feed. O texto tem tamanho e cores que o tornam bastante legível e links azuis sublinhados, à la Nielsen.
O grande destaque vem na forma de uma barra lateral, posicionada de maneira fixa (ou seja, mesmo que você role a página, ela permanece no mesmo lugar), com opções para filtragem de conteúdo.
Nesta barra lateral temos a informação da quantidade de itens no feed, uma caixa de texto para filtrar o conteúdo por palavras-chave. Logo abaixo temos a opção de ordenar os posts por data, título e autor e no fim temos uma lista de categorias, com a quantidade de posts pertencentes a cada uma delas, com a opção de filtragem ao clicar.
Você pode pensar que toda essa parafernália só será útil caso o usuário deseje ler o feed diretamente no browser, o que, além de não ser um uso comum, não é o uso ideal. Porém, é interessante para se ter uma idéia geral do conteúdo do feed e decidir por assinar ou não aquele feed. Bem, o usuário poderia fazer isso direto no site, é verdade. Mas tem muito site por aí que não dá toda essa facilidade de exploração de conteúdo ao usuário, portanto acho que o esforço do time do IE7 foi bem aplicado.
Agora, claro, tem que ter uma parte ruim nessa história toda. O leitor de feeds embutido no browser é muito ruim.
É nada mais que uma extensão do sistema de favoritos (ou bookmarks). Ao se inscrever em um feed, o conteúdo do já citado box amarelo muda, dizendo que o usuário já está inscrito naquele feed, com um link para visualizar seus feeds.
Ao clicar neste link, a barra lateral (que não é a mesma barra lateral do conteúdo do feed) de feeds é exibida, no estilo “docked”, ou seja, fixada ao canto da tela. Nela é exibida a lista de feeds em que o cidadão assina atualmente. Porém, não há nenhuma informação sobre os itens de cada feed. Nem mesmo a quantidade de itens não lidos. Para ver estes dados o usuário precisa clicar no feed, e é jogado diretamente para a URL do feed, sem diferença alguma, apenas sem o box amarelo.
Ok, para leitores menos exigentes, isso poderia ser suficiente. Poderia se não fosse o fato de que, ao clicar diretamente no botão de favoritos na barra de tarefas (ou usar o atalho ctrl+c), a barra lateral de favoritos ser exibida em sua forma “flutuante”, altamente incômoda, na minha opinião.
Incômoda porque, estando nessa forma, ao clicar em um feed, a barra lateral de favoritos simplesmente se fecha e, ao terminar de ler um feed, o usuário é obrigado a abrí-la novamente. Ou então deve clicar no botão que fixa a barra lateral no canto da tela. Pelo que pude ver não é possível — pelo menos não de maneira simples — gravar sua preferência pela barra lateral fixa ao invés de “flutuante”.
O pior é que, mesmo sendo tão ruim, o leitor de feeds do IE7 consegue ser melhor que (ou, talvez, tão ruim quanto) o do Firefox, chamado de “live bookmarks”. Mas, obviamente, como sempre, há controvérsias. As veremos no próximo post, porque esse aqui já tá grande demais e você já deve estar cansado. Vai ler alguma coisa mais interessante e volta aqui depois. E, como de costume, a sua opinião é muito importante para nós (de verdade).
Leia também:
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Todos os desenvolvedores web que tenham o mínimo de bom censo, tem que reconhecer que no que toca a “Visualização de Feeds” o IE7 se encontra numa posição superiora, o pessoal da MS caprichou.
Mas como nem só de caprichos e estilizações vive um browser, o IE7 ainda persiste em alguns bugs nas unidades de medidas do CSS, mas esse não é o caso.
Enfim, na minha visão, não acho uma má idéia os browsers terem autonomia de estilizar os XML’s com seus próprios XSLT’s, apenas a favor se não conter nenhum estilo nele, jamais sobrepor algum que contenha no XML.