APML: uma forma de dizer ao mundo o que merece sua atenção

APML é um acrônimo para Attention Profiling Markup Language, algo como “Linguagem de marcação de perfil de atenção” em português. Basicamente é um formato de XML que descreve quais assuntos interessam a um determinado indivíduo online e qual o nível de atenção dado a cada um desses assuntos.

Não sou nenhum expert no assunto — na verdade só fui apresentado ao termo hoje –, mas fiquei bastante interessado. Inclusive acho que, no meu APML, “APML” é um dos termos que deve constar a partir de agora, pois pretendo estudar melhor o assunto.

A função do APML é dar ao usuário o poder de fornecer informações sobre seus gostos para as aplicações que ele usa (e que, obviamente, suportam a tecnologia) para que estas possam adequar as informações, funcionalidades e tudo o mais ao gosto do usuário.

Um leitor de feeds é um bom exemplo de aplicação em que o uso de APML seria bem-vindo. De posse do seu “perfil de atenção”, a aplicação pode exibir os artigos ordenados pelo seu interesse e não por uma métrica arbitrária qualquer.

Bloglines e NewsGator já estão com planos de suportar o padrão em breve, o que deve ajudar bastante na popularização do mesmo.

O mais interessante disso é que é você quem está fornecendo esta informação para a aplicação e não a aplicação que está coletando dados “na surdina”, tentando descobrir seus gostos algoritmicamente (se é que essa palavra existe).

O formato APML não tem nada a ver com seu quase homônimo “primo” OPML, cujo uso mais comum é o compartilhamento da lista de feeds assinados por um indivíduo.

Imagine que você se interessa muito por linux, software livre e desenvolvimento web; tem um interesse mediano por jogos; e não quer nem ouvir falar de microsoft e windows vista. Seu APML seria algo mais ou menos assim:

<?xml version="1.0"?>
<APML version="0.6">
  <Head>
    <Title />
    <Generator>ferramentaAPML.com</Generator>
    <DateCreated>2007-10-17T04:24:46Z</DateCreated>
  </Head>
  <Body defaultprofile="Home">
    <Profile name="Home">
      <ImplicitData>
        <Concepts>
          <Concept key="linux" value="1.00" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
          <Concept key="software livre" value="1.00" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
          <Concept key="desenvolvimento web" value="1.00" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
          <Concept key="jogos" value="0.50" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
          <Concept key="microsoft" value="-1.00" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
          <Concept key="windows vista" value="-1.00" updated="2007-10-17T04:29:45Z" from="ferramentaAPML.com" />
        </Concepts>
        <Sources />
      </ImplicitData>
      <ExplicitData>
        <Concepts />
        <Sources />
      </ExplicitData>
    </Profile>
  </Body>
</APML>

Como você pode ver no código, cada palavra-chave é um “Concept”, ou “conceito” dentro do APML e o atributo “value” — que pode variar de -1.00 a 1.00 — serve para definir o nível de atenção que você dedica a cada um desses conceitos.

“ImplicitData” define os dados que foram coletados implicitamente por uma ferramenta, no nosso caso a fictícia “ferramentaAPML.com”. “ExplicitData” são os dados que você fornece manualmente.

Dentro de um APML você pode ter diversos perfis, ou seja, diversos elementos “Profile”. Você pode, por exemplo, ter um perfil diferente de atenção no trabalho e em casa e a aplicação que utilizar seu APML deve fornecer meios de você dizer em que perfil você está no momento, para te entregar informações relevantes.

Se você quiser fazer um teste e criar seu APML, existe uma aplicação chamada Engagd, que gera um para você baseado em uma lista de feeds. Basta se logar na aplicação (que usa, exclusivamente, OpenID para login) e adicionar os feeds que você costuma ler (ou a URL para um arquivo OPML com a lista completa) que ele gera o APML pra você.

Não acho, no entanto, que essa seja a melhor forma de gerar um APML. Penso que uma extensão para o firefox que acompanhe todas as suas ações e, de acordo com estas ações, atualize um arquivo APML hospedado em um local (online ou não) definido por você, seja uma solução bem mais interessante. Gostaria de ouvir as opiniões de vocês sobre o assunto.

Ainda tem muita coisa que não entendo sobre o padrão, portanto não adianta querer fazer um post completo sobre o assunto agora. Vou estudar melhor, ler o que se fala por aí (não achei nenhum blog brasileiro falando sobre o assunto [update] na verdade, é a Google BlogSearch que não está funcionando direito), entender outros tipos de potenciais usos e prometo voltar ao assunto em breve.

Enquanto isso, aqui vão alguns poucos links interessantes sobre APML:

Leia também:

7 Comentários sobre “APML: uma forma de dizer ao mundo o que merece sua atenção”

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Muito interessante o assunto. Vou procurar saber mais.

Lendo seu texto a primeira coisa que me veio a mente(antes de ver sua sugestão) foi uma extensão para o Firefox.

Fico pensando que com isso, até os banners do Adsense poderiam ler o seu APML e te mostar anúncios mais apurados sobre os seus interesses….

Vale a pena dar uma olhada.


#2 | Igor Escbar

Achei extremamente interessante, da para tirar muito proveito disso e beneficiar muito os usuários, mais acho que temos que ter cuidados também rsrs, se limitarmos por exemplo as notícias do site somente para os gostos que estão dentro do APML de cada usuário estaremos privando ele de muitas coisas. Hoje eu odeio o Windows Vista, mas amanhã eu posso ama-lo (o que é mentira) entendeu? Gostos mudam, isso pode ajudar muito como pode irritar muito também e quem sai perdendo com isso pode ser o proprio site. enfim, esse foi um pensamento que tive. Com certeza é uma solução muito bacana, porém precisa ser muito bem pensada e utilizada com muita inteligência.

É isso, T+.


Boa Bruno. Achei interessante a tecnologia. Assim que souber mais à respeito, procurarei utilizá-la. Com o montante de informações que recebemos hoje, nada melhor que organiza-las de uma forma mais eficaz. Faço uso do NetVibes, que já me facilitou e muito. Mas me interessei pelo formato descrito.

Abraços e Parabéns pelo Blog.


#4 | Rodrigo Guimarães

Achei muito interessante seu post sobre APML. Quando li as primeiras linhas imaginei que fosse algo ligado a web semântica.

Ao ler seu post pude imaginar o uso de APML em um sistema imobiliário, onde o usuário que busca apartamentos disponibiliza sua lista de preferências por bairros.

O sistema enviaria ao usuário somente anúncios e notícias, talvez por RSS, das regiões em que ele busca imóvel.

Já existe algo parecido com isso? Provavelmente, mas com certeza não usando APML.
Grande abraço,
Rod


Seria uma boa para as redes sociais como o facebook.

Abraço.


[...] estava fazendo uma pequena pesquisa para o meu post sobre APML e, como ainda não tinha lido nada sobre o assunto em português, resolvi selecionar a opção [...]


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