Saudades de Macondo

Alguns livros deviam durar a vida inteira. Acabei de ler, há poucos dias, “Cem anos de solidão” do Gabriel Garcia Márquez e a sensação que eu tenho é de que não devia ter terminado nunca.

Na verdade, eu acho que nunca demorei tanto tempo lendo um livro quanto esse. Não que não seja interessante ou que seja de difícil leitura, muito pelo contrário. O fato é que eu saboreei com calma cada página, cada fato fantástico, surpreendente e apaixonante envolvendo os Buendía e a pequena aldeia de Macondo. A cada página virada eu sentia que, mais cedo ou mais tarde, o fim chegaria, e que esse seria um momento pra lá de triste.

Em geral, quando começo a ler um livro — e a “curtir” a história — quero chegar o mais rápido possível ao final, saber como aquilo tudo vai terminar, saber o destino dos personagens. Com esse, pelo contrário, eu deixava, às vezes, a próxima página para o dia seguinte, como quem separa a melhor parte da comida no canto do prato, pra saborear no fim.

Não vou fazer aqui nenhuma crítica, resenha, ou algo do tipo sobre o livro. Não é esse o meu popósito e outros, com certeza, já o fizeram muito melhor do que eu faria. Mas, não posso deixar de recomendar a todos que leiam essa história deliciosa, cheia de fantasia e uma pitada (na verdade, bem mais que uma pitada) meio amarga meio doce de realidade, e que deixa na boca um gosto indescritível e no ar um cheiro de sexo e sangue, suspenso por entre fantasmas e borboletas amarelas.

PS: logo depois de escrever esse texto, dei uma pesquisada no oráculo e descobri que já há um post com o mesmo título em outro blog. Não pensem que copiei. Ou pensem, não importa. O fato é que eu já tô sabendo, não precisam me contar. ;)

[update] Um post do Mauro, que usa uma passagem de “Cem anos” para falar de tagsonomia. Bem interessante.[/update]

Leia também:

18 Comentários sobre “Saudades de Macondo”

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Que legal! Você também fica com a mesma sensação tetra-hidro-canabiótica que eu fico depois de ler algo de Sartre ou Dostoievski! ;P

Achei que isso era algo genético…

Abraço…


Estou louco para ler este aí.

Um livro que nunca esqueço, e que talvez gostaria que tivesse mais umas 10mil páginas, é a novela Fundação de Isaac Asimov.


Ora Bruno,
Se não é meu livro preferido, também?
Já usei uma de suas passagens para um post recente sobre tagsonomia e tudo. Veja lá em:

http://www.carreirasolo.org/archives/as_tags_de_jose_arca.html


Eu já tinha lido o post do Mauro e na mesma hora pensei em Machado de Assis, que, com seu Memorial de Ayres, foi possivelmente o primeiro blogueiro brasileiro de todos os tempos.


100 anos é magnifico. nunca me envolvi e me apaixonei tanto por um livro. E também demorei muito para terminar de ler. Vou até pegar para ler de novo, valeu Bruno!


Bruno,

Já foi adicionado em minha lista de presentes a pessoas importantes a mim.
Obrigado pela dia!
No momento estou lendo:
- Cartas a um jovem poeta
- Diário de minhas putas tristes

abraços


#7 | Caio

Como vai Bruno?

Gostaria de saber se você pode me informar como fazer alterações no layout do meu blog no wordpress.

Se possível.

Muito Obrigado,
foka


Recomendo também a leitura de Memória de Minhas Putas Tristes. Sem dúvidas, Márquez é realmente um daqueles poucos autores que sabem como prender nossa atenção do início ao fim do livro :)


Realmente… ler um livro assim… se deliciando.. não tem nada melhor…

Mas… tbm… nada se compara a segunda lida numa obra prima…


#10 | Marcio

Eu recomendo ler mais manuais. Sim, material tecnico mesmo.

GGM?? Putz… achei esse livro um porre (como muitos outros, igualmente incensados pela midia “for classe media” literaria). Mas tudo bem, gosto nao se discute, lamenta-se.

Macunaima, por exemplo, tb tah no rol de “books burguer king”. “Fast food” da melhor qualidade, de se lambuzar! Embora eu igualmente dispense.

Mas eh um milagre que ninguem aqui mencionou ainda aquela outra porcaria intitulada “O apanhador nos campos de centeio”. Blergh! Gimme, gimme cliché. Afff

Ô atendente, na boa, salta um tutorial de Mantis ae, por favor!!?? Tsc, tsc… Macunaima… eu hein?!


Até uns quatro anos atrás lia muito, mas muito mesmo. Não sei a razão, mas isso mudou. Livros, ainda leio, mas pouco. Fico pensando se tem influência/interferência da internet, já que leio muito nesse meio, e acho que acabo ficando cansado, dificultando a leitura de livros.


Tem razão, Bru, Marques e mesmo mmmuuuiiitttooo bom. Agora,vc, aplicar inteligência emocional para ler 100 anos, é 10!!! Vou tirar o meu da estante, isto é, se parar de blogar e linkar feito doida depois da nossa ‘campanha’ rsrs.

Ei, quero te ver no Empreendedor Virtual, hein?! Passa lá ;)

Beijo grande :)


Poxa .. coloca o link da noticia no http://www.linkk.com.br e, com certeza, tá meu voto.

parabens pelo texto! vou comprar o livro logo!


Li esse livro faz uns cinco anos e a sensação foi muito parecida.

Eu não achei exatamente difícil de ler, mas difícil de lembrar todas as relações familiares dos Buendía. Que confusão!

No mais, o livro é ótimo.


#15 | Cleo

Caro leitor
Meu marido presenteou me com Cem anos de solidão, por ele próprio ter se encantado com o livro, eu simplesmente adorei… para sua alegria, a saga dos Buendias não acaba nesse livro não, vc já leu não tenho certeza do titulo, mas parece que é “Saudades da mãe grande”? Fala da matriarca dessa familia tão interessante. Ainda não tenho mas foi recomendado que eu lesse um livro “…. e sua avó desalmada” Desculpe mas minha mémória não ajuda e eu não lembro o nome da personagem principal desse livro. Mas sei que é a história de uma menina que é obrigada pela avó sair pelo mundo se prostituindo para pagar uma dívida, a avó é muito má, e o estilo é quase o mesmo de Cem anos.Boa leitura, e parabéns pelo bom gosto!
Cléo


Bastante curioso a respeito dos comentários envolvendo o misterioso povoado de Macondo, ponho-me a buscar no google algum lugar onde pudesse encontrar alguma descrição semelhante a que eu me vi exprimir.
E achei esse blog aqui, com um comentário bastante interessante a respeito dessa obra magnífica, em que eu ainda não terminei de ler, por estar também analisando, minuciosamente, as páginas que revestem-se de personagens e acontecimentos fantásticos. Eles nos fazem sonhar e imaginar a vida em Macondo. Nos faz viajar pela rotina nada comum de um povoado, que de longe parece ser pacata, mas que de tudo acontece. Em números exagerados as quantidades de tudo nos leva a um imaginário extasiante.
apesar de ainda nao haver terminado de ler, tenho certeza de que é o melhor livro que li até agora.
parabéns pelo feliz comentário.


#17 | Manoel Roberto Reis

“Cem anos de solidão” é a mais bela obra de ficção da literatura mundial. A primeira e a última página do livro sintetizam toda beleza e fantasia que a literatura já escreveu.


#18 | Fábio

Terminei de ler o livro 100 anos de solidão e fique com aquele gostinho de “quero mais”. Por isto, sai buscando mais informações e encontrei este blog. Gostei muito porque tem pessoas interessantes e inteligentes opinando sobre um assunto que eu gosto muito que é literatura. Foi muito bom o que eu li. Meus parabéns por manter este espaço. Internet não é só besteirol!


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