10º Encontro de Web Design: The good, the bad and the ugly
Foi Realizado ontem, dia 14, o 10º encontro de web design, aqui no Rio. Eu fui e gostaria de compartilhar com vocês as minhas impressões sobre o evento.
The good
Foram dois os pontos altos do evento: A palestra “Animação: do storyboard à pós-produção”, com Fernando Reule e
Ricardo Filho, da Seagullsfly e a do Professor Everaldo Bechara, do iLearn
sobre padrões web.
A primeira foi tão interessante, tão envolvente que eu simplesmente não fiz nenhuma anotação sobre ela.
E só fui perceber isso ao chegar em casa. Os dois palestrantes mostraram de forma bem-humorada e pouco
técnica o processo de criação de uma animação para uma campanha publicitária.
Mostraram desde o processo de concepção para a mídia impressa até a finalização de um filme de 30
segundos de um imenso caranguejo invadindo uma casa; passando pela filmagem do cenário, criação do
bicho em 3D, integração com o ambiente, etc. O mais legal foi o bom humor com que os palestrantes apresentaram
o assunto. Com isso conseguiram a atenção e aprovação de praticamente toda a platéia.
A segunda foi, acho eu, a mais aplaudida dentre todas as palestras apresentadas. O professor Bechara
é um excelente palestrante e discorreu sobre o assunto (web standards) de maneira simples e direta
com o intuito de atingir um público que ainda não teve sequer um contato com os padrões.
Logo no início da palestra, Bechara desfez um mal-entendido que gerou muita
polêmica pela web, inclusive na lista Webstandards-br.
Semana passada, no caderno de informática do Jornal O Globo foi publicada uma
entrevista com ele
onde lhe foi creditada a seguinte frase: A intenção é mostrar aos técnicos a nova moda de fazer web
.
Ele disse que não usou a palavra moda como foi dito (mas também não falou o que tinha realmente dito
à jornalista). Acredito que o termo usado posa ter sido modo, o que faria algum sentido.
Bem, o fato é que ele apresentou o assunto de uma maneira bastante agradável e abordou as principais
vantagens do uso dos padrões web, como redução no tamanho dos documentos e consequente economia de banda,
separação entre conteúdo e apresentação, otimização para sites de busca, semântica, acessibilidade e usabilidade.
[update] Outro assunto bastante enfatizado na palestra do Bechara foi a lei que obriga todos os sites do governo a se tornarem acessíveis até dezembro.
Me pareceu que faltou tempo para que ele conseguisse apresentar todo o conteúdo e, apesar de nada do que ele
falou ser novidade para mim, gostaria que a palestra tivesse durado pelo menos mais meia hora.
O mais importante é que sua palestra parece ter despertado nas pessoas um desejo real de conhecer os padrões
e isso é extremamente importante.
Ao contrário do que muitos pensavam – incluindo este que vos fala – o professor não usou sua palestra em
nenhum momento para fazer propaganda de seu curso. Deixou para fazer isso no local certo – o stand do
iLearn.
A palestra “Televisão, Hollywood e Rock´n Roll: A indústria do entretenimento na internet”, apresentada por
Marcelo Albagli da Canvas foi bastante interessante também. Marcelo falou
sobre downloads de músicas e filmes pela internet, pirataria, processos conduzidos pela RIAA e Hollywood
na tentativa de frear a disseminação de músicas e filmes em softwares P2P. Enfim, assuntos bastante conhecidos
pela maioria de nós mas mesmo assim muito interessantes.
A palestra estará disponível online em breve.
The bad
Sei que organizar um evento desta proporção não é fácil. Exige muito planejamento e engajamento de seus
organizadores. Mas senti faltou um pouco de organização em relação aos stands. O espaço onde foram alocados era
pequeno demais para comportar a quantidade de pessoas presente no evento (algo em torno de 1000) e, na maior
parte do tempo, o espaço ficou simplesmente abarrotado. Acho que este é um ponto pra se rever e melhorar
para a próxima edição do evento.
Outra parte do evento que não me agradou foi a palestra “Para não dizer que não falei das cores”, com
Adriana Melo, diretora da Arteccom – organizadora do evento.
Apesar de o conteúdo dos slides ter sido bem estruturado e bastante rico em informação, a palestra
foi por demais superficial e senti que a palestrante deixou de frizar alguns pontos importantes do conteúdo.
Verdade seja dita, ela mostrou ter bom conhecimento do assunto mas não teve a didática necessária para
fazer uma boa palestra.
Uma parte que me deixou bastante desapontado foi quando ela se referiu ao HTML como o
“primo pobre” do Flash, ratificando o ponto de vista do designer de um site usado como exemplo.
Talvez alguns discordem de mim, mas esta foi a única palestra que não conseguiu prender a minha atenção
e despertar grande interesse, apesar de o assunto ser muito interessante.
Além disso, todos os palestrantes – com exceção do Bechara e do Marcos Scheidegger – usaram Internet
Explorer para exibir seus exemplos. Ok, nem todo mundo consideraria isso ruim, mas eu considero.
The ugly
A parte feia (e chata) do evento foram os “pop-ups”, maneira como me referi ao espaço dedicado a
anúncios no intervalo entre palestras. Nestes pontos, a apresentadora cedia um espaço a um anunciante
que tomava uns 5 a 10 minutos do tempo para fazer propaganda de seu produto. Por sorte eu liguei meu
“bloqueador de pop-ups” e saí para tomar um café cada vez que um deles pululava na minha frente.
Além disso, a palestra “Workflow de projetos, Internet Rica, Rich Media e dispositivos móveis” apresentada
pelo gerente da macromedia Marcos Scheidegger me pareceu servir apenas para fazer propaganda do flash, flex
e suas assim chamadas “aplicações ricas para a internet” ou RIA (Rich Internet Application).
Ele se baseou em falhas cometidas por programadores em diversas aplicações web para dizer que não se
pode ter interatividade, desempenho e boa experiência de usuário utilizando-se (X)HTML, CSS e JavaScript.
Marcos disse a seguinte frase ao mostrar todas as “vantagens” que o plugin do flash teria em relação aos
browsers sem o plugin: O HTML não permite o uso de um cliente rico
. Será que é o cliente ou a aplicação
que deve ser rico?
Apesar disso me pareceu que o Flex tem vantagens reais em algumas aplicações, como em streaming de vídeo
por exemplo. Mas o que me fez achar “feia” a palestra não foi a apresentação do Flex ou do Flash e sim a maneira
como foram apresentados, como em uma propaganda – apesar de a primeira coisa dita por ele ter sido
que não usaria o espaço para fazer propaganda.
Com certeza muita gente não vai concordar comigo neste ponto, portanto quem quiser dar uma olhada no que
foi apresentado, o conteúdo completo da palestra está disponível online
(O áudio contido nesta apresentação não é o mesmo da palestra).
Concluindo
No geral o evento foi bastante interessante e, em sua maior parte, bom. Valeu a pena ter comparecido,
principalmente porque tive a oportunidade de conhecer pessoalmente diversas pessoas que eu só conhecia
online.
Os pontos do evento que não foram bons na minha opinião certamente o foram para muitas outras pessoas
e espero não ter que ler comentários agressivos quanto a minha opinião. E é o que este texto representa -
apenas a minha humilde opinião.
Parabéns à Arteccom pela realização do evento e espero que o próximo
seja ainda melhor. E espero que tenha um espaço maior para os nossos queridos padrões web.
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Bom relato da participação no ewd.
Participei do evento em BH ano passado e acho que é válida essa troca de infomações. Até pra gente ter uma idéia de como estamos em relação ao mercado. E quando vemos que o que sabemos está em sintonia com a atualidade é muito gratificante e estimulante. Informação é a base do nosso negócio.
O ewd|BH é só em junho, até lá eu seguro a onda lendo a participação em diferentes capitais até pra saber se o nível dos palestrantes é o mesmo, apesar dos temas serem um pouco diferentes.